quinta-feira, 31 de março de 2011

A VOCAÇÃO DE JESUS



01. Jesus é o modelo do homem realizado, do homem novo, segundo São Paulo (cf. Ef 1,1-14; Cl 1,15-23). Como teria sido a caminhada vocacional de Jesus? Jesus é mais do que um simples mestre de moral e de religião; mais do que uma figura romântica ou abstrata. Veja-se o realismo da Encarnação, seguido da concretização de um projeto, conforme acontece em toda experiência humana. O batismo de Jesus, do qual falam todos os evangelistas, é como que a arrancada inicial de sua chamada vocacional. Caminhada pontilhada de fatos adversos, surgidos da parte dos parentes (cf. Mc 3,21), dos discípulos (cf. Mc 6,51-52), das autoridades judaicas (cf. Mc 3,22) e do próprio demônio (cf. Mt 4,1-11).
02. Dificuldades à parte, encontramos, sobretudo nos três primeiros evangelistas (cf. Mt 4,12-22; Mc 1,14-15; Lc 4,1-13), uma programação missionária de Jesus, inspirada em Isaías (cf. Is 61,1-2): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor (Lc 4,18-19). Esse é um programa que reflete a caminhada vocacional de Jesus, Filho e Servo, que torna presente o Reino de Deus com a sua pessoa e a sua atuação, visando, sobretudo, os desfavorecidos: Ide anunciara João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho (Lc 7,22).
Tudo isso, reflexo do amor gratuito de Deus, de modo especial simbolizado no pastor e na mulher que fazem festa ao encontrarem o que haviam perdido; e no pai que festeja o retorno do filho sonhador (cf. Lc 15).
03. Conforme recordamos de início, “o projeto de Jesus, e a sua fidelidade, aquela que poderia se chamar a vocação de Jesus, não foi algo de pacífico e de pouca importância, mas foi realizado em uma situação de incompreensões e contradições, até a forma extrema de condenação pública: a morte de cruz”. Na Quinta-feira Santa, ao celebrar a Ceia pascal, deu Jesus a interpretação de sua morte como morte do mártir, do servo, do profeta: o pão, partido e repartido, era seu corpo, era sua existência doada; o cálice, dom da sua vida de mártir: Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou (Jo 13,1; cf. Fl 2,6.8; Hb 5,8).
O exercício da liberdade de Jesus se torna amor desinteressado, doação total, refletindo “o amor fiel e salvador do Pai”. Eis um reflexo de sua ternura: Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: ‘A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe, que envie operários para a sua messe’ (Mt 9, 36-38; cf. Mc 6,34; Lc 13,9-17; Jo 6,5.11).
4. Do nosso papa João Paulo II: “E aos jovens de hoje digo: sede mais dóceis à voz do Espírito, deixai ressoar, no profundo do coração, as grandes esperanças da Igreja e da humanidade; não tenhais medo de abrir o vosso espírito ao chamado de Cristo, senti sobre vós o olhar amoroso de Jesus e respondei com entusiasmo à proposta de um seguimento radical” (PDV 82).

05. Jesus, o grande vocacionado do Pai, exercia uma atração irresistível na alma, no coração, em toda a vida do nosso pia espiritual São Francisco de Assis. Fala-nos o seu principal biógrafo: Realmente, ele tinha muitas coisas com Jesus: sempre trazia Jesus no coração, Jesus na boca, Jesus nos ouvidos, Jesus nos olhos, Jesus nas mãos, Jesus nos demais membros. Quantas vezes, quando se sentava para o almoço, ao ouvir ou nomear ou pensar em Jesus, se esqueceu do alimento corporal... Muitas vezes também, quando ia pelo caminho, meditando e exaltando Jesus, se esquecia do caminho e convidava todas as criaturas ao louvor de Jesus (1Cel 115,5-7).

Frei José Soares da Silva, Ofmcap. (Org.)





 





sábado, 26 de fevereiro de 2011

A PRIMEIRA VOCAÇÃO É O CHAMADO À VIDA

Frei José Soares da Silva, Ofmcap. (Org.)

a) Desenvolvendo o tema
Se eu não existisse, ninguém iria notar minha ausência; nem notaria a ausência de qualquer outro, ou outra, que não existisse. Mas, antes de eu existir, Deus já me conhecia e amava (cf. Jr 1,5); por isso me chamou à vida. Sou criatura sua. Cada pessoa é criatura de Deus, amada e convidada por Ele ao banquete da vida. A vida é, assim, o primeiro chamado de Deus, a primeira vocação.
Se a vida já é vocação, devo-lhe uma resposta. Qual será a resposta que Deus espera de mim? Certamente a vida tem um sentido a descobrir, uma obra a realizar. E ninguém o faz em meu lugar.
A primeira resposta ao chamado da vida é o valor pela vida, o cuidado pela vida de cada pessoa e de toda criação. Cuidar da vida é compromisso sagrado de quem a considera um dom de Deus confiado aos cuidados humanos. Colocar-se a serviço da vida já é responder à vocação.
São Francisco tinha imenso cuidado pela vida em todas suas manifestações. Cada pessoa e cada coisa eram saudadas por ele como irmão e irmã. O mundo, para ele, era a “casa” comum onde cada criatura tem seu lugar, sem exclusão. Veja-se o “Cântico das Criaturas” ou do “Irmão Sol”.
É uma atitude bem franciscana acolher com gratidão a vida e cada ser, acolher a si mesmo e a cada irmão e irmã como presentes que o Senhor nos dá.
b) Aprofundando o assunto
A vocação é como um diálogo entre Deus e o vocacionado; a iniciativa é de Deus; a resposta é do ser humano. Em clima de oração, acolher o próprio ser como um dom e presente que Deus me faz agora: corpo, espírito, saúde, energias, desejos, necessidades de amar e ser amado, impulso para o infinito, capacidade de relações...
Eu mesmo sou um dom de Deus, pois tudo em mim procede dele. E enquanto procedo dele, todo meu ser é bom.
*       A vocação tem uma dimensão pessoal e uma dimensão comunitária: pessoal, porque ninguém pode responder em meu lugar; comunitária, porque ela precisa da comunidade para desabrochar. Quando Francisco de Assis rezava: Senhor, que queres que eu faça?, estava procurando como responder ao chamado de Deus. Você já falou alguma vez assim com Deus?
*       Leia o Salmo 138 (139) procurando entender como é que a vida é vocação.
*       No final de sua vida São Francisco compôs o Cântico das Criaturas, resumo do que ele viveu. Tente fazer você também uma oração de louvor a Deus, fonte da vida.
*       Leia Jeremias 1,5-6.
c) Refletindo e respondendo
1)       Qual o sentido que estou dando à minha vida?
2)       Que valores considero importantes para me realizar como um ser chamado para a vida?
3)       Se vocação é um chamado de Deus e uma resposta da pessoa humana, como é que eu me relaciono com Deus e me deixo influenciar por Ele?
4)       Escreva fatos que mais marcaram a sua infância e adolescência.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Visita aos vocacionados de Ouricuri - PE

"Vocação e Vocações"

Frei Jorge (guardião da fraternidade) e vocacionados



frei Tiago Felipe e vocacionados

Primeiro encontro vocacional de 2011. Seis jovens participaram. Os encontros vocacionais em Ouricuri são animados pelo guardião da fraternidade.